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Crianças cardiopatas recebem reforço de proteção com vacina nirsevimabe no Hospital Dr. Carlos Macieira

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), ampliou a proteção a crianças cardiopatas atendidas pelo Ambulatório de Cardiopediatria do Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM) com a administração do anticorpo nirsevimabe. A iniciativa visa garantir que crianças com idade inferior a 24 meses (até um ano, 11 meses e 29 dias) estejam protegidas contra o vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite. A unidade é referência em alta complexidade da Rede Estadual de Saúde.
“Crianças que já realizaram tratamento e não apresentam sequelas de cardiopatia não precisam receber o anticorpo. Nosso objetivo é garantir que elas recebam a proteção adequada, no tempo certo e de acordo com critérios clínicos bem definidos, assegurando cuidado individualizado e baseado em evidências”, disse a coordenadora do Ambulatório do HCM, Juliana Rodrigues.
O nirsevimabe é aplicado em dose única e destinado a bebês prematuros com idade gestacional de até 36 semanas e seis dias e a crianças com idade inferior a 24 meses (até um ano, 11 meses e 29 dias) portadoras de cardiopatias congênitas, doença pulmonar crônica (broncodisplasia), imunodeficiências graves (inatas ou adquiridas), fibrose cística, anomalias congênitas das vias aéreas, síndrome de Down e doenças neuromusculares.
Para ser elegível a receber o anticorpo no HCM, a criança precisa estar inserida no fluxo de atendimento do Ambulatório de Cardiopediatria da unidade e ter passado por consulta prévia com o médico responsável pelo acompanhamento do caso. O uso do nirsevimabe ocorre durante o período de sazonalidade do VSR, definido pelas autoridades de saúde conforme o padrão epidemiológico regional. A dose varia de acordo com o peso da criança: 50 mg (0,5 mL) para crianças com menos de 5 kg e 100 mg (1 mL) para crianças com 5 kg ou mais.
Crianças que permanecerem elegíveis em uma segunda sazonalidade poderão receber 200 mg, administrados como duas injeções de 100 mg na mesma visita. O objetivo principal é prevenir infecções pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite e de internações em crianças cardiopatas.
A pequena Luna Jasmine Vieira Silva, de cinco meses, foi diagnosticada com cardiopatia congênita e, desde recém-nascida, é atendida no Ambulatório de Cardiopediatria do HCM. Segundo a mãe, Larissa Brenda Gomes, de 29 anos, receber a dose do nirsevimabe representa mais segurança. “É uma boa iniciativa. A gente se sente mais segura, porque a criança já tem esse problema e tem facilidade de adoecer. Então, tomar para prevenir é ótimo”, relatou.
Diagnosticado com Tetralogia de Fallot, um tipo de cardiopatia que causa baixa oxigenação no sangue, Lorenzo Corrêa, de 1 ano e 3 meses, também recebeu a dose do nirsevimabe. “Agora me sinto uma mãe mais tranquila por conta dessa vacina que ele tomou para prevenir a bronquiolite. Vamos aguardar para que ele possa fazer a cirurgia”, disse a mãe da criança, Taiane Corrêa, de 34 anos.
Para o perfil assistido na unidade, está prevista a aplicação de dose única. Em situações específicas, como nos casos de crianças prematuras e cardiopatas, a administração pode ocorrer em dois anos consecutivos, desde que a criança ainda esteja dentro da faixa etária estabelecida nos critérios de elegibilidade.
“A prevenção de infecções graves evita internações prolongadas, muitas vezes em UTI, que prejudicam o coração, atrapalham o tratamento cardiológico e o preparo para cirurgia. A vacina veio para agregar e ajudar esses pacientes a evitar esse tipo de infecção. Há também aqueles que não vão fazer cirurgia e seguirão apenas em acompanhamento clínico, mas que têm cardiopatia; esses também são beneficiados e têm esse direito garantido”, observou a médica cardiopediatra Terezinha Nunes.
Após a administração do nirsevimabe, cada criança permanece em observação por cerca de 15 minutos no ambiente ambulatorial, como medida de segurança, para monitoramento de possíveis reações. Esse acompanhamento faz parte do protocolo de segurança do HCM e reforça o compromisso com uma assistência responsável e atenta.
O medicamento
A aplicação do anticorpo foi iniciada no Maranhão no dia 11 de fevereiro de 2026. O imunizante substitui o palivizumabe e já foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação. A transição ocorreu como forma de reforçar a prevenção de casos de bronquiolite em bebês menores de um ano.
A aplicação do anticorpo está sendo realizada em polos de administração pactuados e credenciados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e pelos municípios maranhenses, distribuídos de forma descentralizada em todo o estado. O Maranhão recebeu 4.161 doses de nirsevimabe, das quais 1.668 estão sendo distribuídas às unidades habilitadas.