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Maranhão promove capacitação para reduzir complicações e mortes causadas pela hanseníase

Com o objetivo de qualificar o atendimento a pacientes com hanseníase e fortalecer a resposta da rede de saúde diante das formas mais graves da doença, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou, nesta quarta (17) e quinta-feira (18), em São Luís, a “Oficina de Manejo das Reações Hansênicas e outras Intercorrências Clínicas com Risco de Morte associado à Hanseníase”.
A atividade aconteceu no auditório da Secretaria Adjunta da Política de Atenção Primária e Vigilância em Saúde (SAPAPVS-SES), localizado no edifício Almere Office, no bairro do Calhau, em São Luís. A programação reuniu médicos e enfermeiros da Atenção Primária e Secundária dos 44 municípios prioritários para o enfrentamento da hanseníase no estado.
“A capacitação teve como objetivo aprimorar o reconhecimento e o manejo clínico das reações hansênicas e de outras intercorrências com risco de morte, contribuindo para a melhoria da assistência, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a redução da mortalidade associada à doença no Maranhão”, pontuou a técnica do Programa Estadual de Hanseníase da SES, Carlile Baldez.
Participaram representantes de Açailândia, Arari, Bom Jesus das Selvas, Itinga do Maranhão, Bacabal, Balsas, Barra do Corda, Grajaú, Caxias, Coelho Neto, Chapadinha, Santa Quitéria do Maranhão, Tutóia, Alto Alegre do Maranhão, Codó, Coroatá, São Mateus do Maranhão, João Lisboa, Imperatriz, Porto Franco, Itapecuru-Mirim, Pedreiras, Lago da Pedra, Trizidela do Vale, Pinheiro, Presidente Dutra, Santo Antônio dos Lopes, Tuntum, São Luís, Santa Rita, Rosário, Raposa, Paço do Lumiar, Barreirinhas, Alto Alegre do Pindaré, Santa Luzia, Monção, São Luís Gonzaga, Timon, Junco do Maranhão, Zé Doca, Alcântara, Bacabeira e São José de Ribamar.
A oficina
A oficina é desenvolvida de forma integrada entre o Ministério da Saúde, municípios e Núcleos Hospitalares de Epidemiologia, reforçando a articulação entre vigilância e assistência. A Vigilância do Óbito por Hanseníase é uma estratégia instituída pelo Ministério da Saúde para monitorar e investigar mortes relacionadas à doença, identificar fatores associados e aprimorar a assistência prestada aos pacientes.
Ao palestrar sobre “Principais causas associadas aos óbitos com menção à hanseníase”, o médico dermatologista e referência técnica do Ministério, Maurício Nobre, observou que o diagnóstico precoce é o primeiro ponto a ser abordado. “Esse é o x do desafio na hanseníase, porque muitas vezes as pessoas ficam passando de um serviço para o outro, de uma unidade de saúde para a outra sem receber esse diagnóstico. Na doença, a gente tem as reações hansênicas, que não afetam todos os pacientes, mas que podem afetar em torno de 30% dos casos”, destacou.
Entre 2021 e 2024, foram analisados 13 óbitos registrados no Maranhão com menção à hanseníase como causa básica. Após investigação que incluiu análise de prontuários, declarações de óbito, registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e discussão técnica dos casos, 6 mortes foram confirmadas como relacionadas à doença, 2 foram descartadas, 2 permaneceram inconclusivas e 3 não puderam ser investigadas.
Segundo dados da SES, em 2025 o Maranhão registrou 1.905 casos novos de hanseníase e até o presente mês deste ano 676 novos casos da doença. Em 2026, o estado iniciou oficialmente a implantação da Vigilância do Óbito por Hanseníase, com a apuração dos óbitos retroativos referentes a 2025.
“Dentro da hanseníase, existe uma reação que talvez seja a mais grave: o Fenômeno de Lúcio. Embora seja considerada relativamente rara, no Maranhão essa não é a nossa realidade. Esse quadro ocorre quando o paciente apresenta uma carga muito alta de bacilos e permanece por um longo período sem diagnóstico. Muitos desses pacientes chegam diretamente a hospitais de alta complexidade já em estado reacional gravíssimo. São pessoas que passaram anteriormente por outros serviços sem que a doença fosse identificada”, observou a hansenologista pela Sociedade Brasileira de Hanseníase e referência técnica da Hanseníase no Maranhão, Celijane Melo.
Participando da oficina, a médica dermatologista do Hospital Aquiles Lisboa (HAL), Thamis Gouveia, afirmou que encontros do tipo possibilitam esclarecer os detalhes da doença. “Como contamos com unidades de referência estaduais e municipais, encontros como este nos ajudam a identificar pontos fortes e fragilidades, permitindo que um fortaleça o trabalho do outro por meio da troca de condutas e manejos que aprendemos diariamente. A hanseníase é uma patologia que nos ensina todos os dias”.
Para o médico generalista Claudio Cordeiro, que atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) Caravelas, em Alcântara, conhecimento é algo sempre bem-vindo. “Nós atuamos em uma região muito carente do Maranhão, em um município com forte ascendência quilombola e população predominantemente rural, extrativista e de pesca. No nosso cotidiano, lidamos com casos de hanseníase, portanto esta é uma iniciativa positiva e que nos qualifica ainda mais para conduzir o tratamento desses pacientes”, pontuou.
A doença
A hanseníase é uma doença infecciosa transmitida por gotículas de saliva e secreções nasais de pessoas infectadas que não estão em tratamento. Ela atinge pele e nervos periféricos, podendo levar a sérias incapacidades físicas. Os principais sintomas são manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou amarronzadas no corpo, com diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, ao tato e à dor; caroços avermelhados, às vezes doloridos; sensação de choque com fisgadas ao longo dos braços e pernas; áreas com diminuição de pelos e suor; entre outras características.
O atendimento ao paciente com hanseníase é feito, primeiramente, na Atenção Básica. As unidades de referência do estado para atendimento especializado são o Ambulatório do Hospital Dr. Genésio Rêgo (Vila Palmeira) e o Hospital Aquiles Lisboa (HAL), ambos equipamentos da SES localizados em São Luís.