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Governo qualifica profissionais para manejo de acidentes por animais peçonhentos no período chuvoso

Com o aumento das chuvas no estado e o consequente crescimento do risco de acidentes com animais peçonhentos, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou a capacitação “Manejo de Acidentes por Animais Peçonhentos no Maranhão”, voltada ao atendimento de vítimas desses acidentes em áreas urbanas, rurais e comunidades indígenas. A atividade iniciou nesta quinta-feira (12) e segue até sexta-feira (13), no Praia Mar Eventos, em São Luís.
Em parceria com o Ministério da Saúde (MS), estão sendo qualificados médicos, enfermeiros e outros profissionais da rede de saúde. A iniciativa reforça a preparação da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para o diagnóstico e o manejo clínico desses casos. O período chuvoso favorece o aparecimento de animais peçonhentos e amplia o risco de acidentes, tanto em áreas urbanas quanto rurais, o que torna ainda mais importante a qualificação das equipes de saúde para o atendimento adequado.
A ação integra, ainda, a estratégia de descentralização do acesso aos soros antivenenos, especialmente em áreas indígenas e entre populações vulneráveis da Amazônia Legal.
A coordenadora de Vigilância de Zoonoses da SES, Monique Maia, destacou a importância da qualificação das equipes diante do aumento do risco de acidentes no período chuvoso.
“Os animais ficam desabrigados, há aumento de entulhos e matéria orgânica, o que cria condições para a ocorrência de acidentes. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam preparados para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. A capacitação também faz parte de um plano maior, que é a criação de uma rede de referência de soroterapia no estado, com pontos de atendimento nos territórios para responder a esse grave problema de saúde pública”, afirmou Monique.
A representante do Ministério da Saúde, Lúcia Montebello, ressaltou que o período posterior às enchentes exige atenção especial das equipes de saúde.
“O momento de maior risco é depois da enchente, quando as pessoas retornam para limpar as casas. Muitas espécies se deslocam do seu habitat e acabam dentro das residências ou em áreas atingidas pela água. Por isso, é fundamental que os territórios estejam preparados para dar suporte rápido e adequado à população”, explicou.
Durante a programação, especialistas abordam temas como epidemiologia dos acidentes no Brasil e no Maranhão, identificação de serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais de importância médica, diagnóstico clínico, tratamento com soros antivenenos e discussão de casos clínicos.
Para o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI-MA), Lúcio Guajajara, a descentralização do acesso ao soro representa um avanço importante para as comunidades indígenas.
“É um marco significativo para o estado e para as populações indígenas, porque temos aldeias muito distantes. A descentralização do atendimento com soro é fundamental para garantir cuidado mais rápido nesses territórios”, comemorou.
Registros
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que o Maranhão registrou 6.529 acidentes por animais peçonhentos em 2025. Entre os principais agentes estão escorpiões (3.137 casos), serpentes (1.728), abelhas (568), aranhas (549) e lagartas (128).
Cerca de 45% das ocorrências exigiram soroterapia e internação hospitalar, o que reforça a importância da qualificação permanente das equipes de saúde.