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Congresso Cuidar de Todos debate uso da epidemiologia na definição de prioridades da saúde pública

O segundo dia do 1º Congresso Internacional de Saúde Coletiva, do 3º Congresso Cuidar de Todos e da 5ª Mostra Científica da Secretaria de Estado da Saúde foi marcado pelo debate do tema “Do indicador ao território: epidemiologia para definição de prioridades locais”.
A programação ocorreu nesta quarta-feira (25), no Auditório Darcy Ribeiro, no Multicenter Sebrae, em São Luís (MA), reunindo gestores, pesquisadores e trabalhadores da saúde em torno de estratégias para qualificar a tomada de decisão no SUS.
Os debates centraram-se em como os dados epidemiológicos podem orientar ações mais efetivas nos territórios, aproximando a análise técnica das realidades locais. A proposta central foi evidenciar a importância de transformar indicadores em instrumentos práticos de gestão, capazes de impactar diretamente o planejamento e a execução das políticas públicas de saúde.
Entre os palestrantes, esteve a professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel, que preside o grupo estratégico da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Tuberculose e integra instâncias internacionais da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Especialista em epidemiologia, Ethel destacou a relevância do congresso para o fortalecimento da saúde coletiva e abordou os desafios da vigilância em saúde no processo de reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS) no período pós-pandemia. Segundo ela, a antecipação é um elemento-chave na gestão em saúde pública.
“Quero compartilhar a experiência que tive como coordenadora nacional de Vigilância em Saúde até o ano passado, com uma visão central das políticas públicas voltadas ao cidadão brasileiro. Quando pensamos de forma antecipada sobre um evento de saúde pública, conseguimos conter com mais eficiência o seu agravamento”, afirmou.
Também integrou a mesa de debates o diretor-geral do Instituto Oswaldo Cruz – Laboratório Central do Maranhão (IOC/Lacen-MA), Lídio Neto, que destacou o papel estratégico da vigilância laboratorial na produção de informações para o sistema de saúde.
Para Lídio, o principal desafio está em transformar dados em ações concretas e integradas. Ele ressaltou a importância da articulação entre diferentes áreas da vigilância e da assistência à saúde.
“Nosso grande desafio é transformar dados em estratégias, com o apoio de uma rede integrada entre as vigilâncias laboratorial, epidemiológica, sanitária, ambiental e a atenção primária. Por isso, reforço sempre a importância das notificações. Essa integração, muito forte no Maranhão, permite que dados gerados por uma vigilância laboratorial oportuna se transformem em respostas rápidas e decisões efetivas, contribuindo para a prevenção de surtos”, destacou.
Participou ainda da mesa o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA-CE) e professor adjunto do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), Antonio Silva Lima Neto.
Evento
O congresso, iniciado no dia 24 e que segue até 26 de março, consolida-se como um importante espaço de diálogo, troca de experiências e fortalecimento da produção científica em saúde coletiva. Com o tema “Cuidar de Todos em um Mundo Interligado”, o evento reúne cerca de 10 mil inscritos e registra recorde de participação na mostra científica, com 1.977 trabalhos submetidos, dos quais 1.742 foram aprovados para apresentação nas modalidades comunicação oral e pôster eletrônico.
A programação do segundo dia incluiu ainda debates sobre equidade e acolhimento em saúde, linhas de cuidado, vigilância em saúde, gestão, educação e o uso de tecnologias, informação e comunicação, ampliando a discussão sobre os desafios contemporâneos da saúde pública e reforçando a articulação entre ciência, gestão e prática nos serviços.