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Maternidades da rede estadual participam de pesquisa sobre nascimentos e saúde de crianças ao longo da vida

As Maternidades de Alta Complexidade do Maranhão (MACMA), Benedito Leite e Nossa Senhora da Penha, da rede estadual de saúde, integram o estudo desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), através do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e do Departamento de Saúde Pública, por meio do projeto “Coorte de nascimentos de São Luís de 2026: saúde, nutrição e equidade ao longo do ciclo vital”. A iniciativa envolve seis maternidades da capital, sendo quatro públicas e duas privadas, que realizam mais de 100 partos por ano, e marca a terceira edição do acompanhamento científico.
A coleta de dados teve início em 1º de janeiro de 2026 e vai abranger metade dos nascimentos ocorridos em São Luís ao longo do ano. As pessoas participantes são sorteadas no momento do parto, e as entrevistas são realizadas diretamente nas maternidades, com garantia de sigilo e segurança das informações.
O objetivo inicial é traçar um retrato detalhado das condições de saúde das mães e dos bebês ao nascimento, considerando aspectos como pré-natal, tipo de parto, mortalidade neonatal, baixo peso ao nascer, prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, além de práticas como amamentação e contato pele a pele na primeira hora de vida.
O secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes, destacou a importância da parceria entre o sistema público e a produção científica. “Unir ciência e políticas públicas é essencial para qualificar decisões. Essa pesquisa permite compreender, com profundidade, como estão nascendo nossas crianças e como as condições de cuidado influenciam a saúde desde os primeiros momentos de vida”, afirmou o gestor estadual.
Além do levantamento inicial, a pesquisa prevê o acompanhamento das crianças até os dois anos de idade, com perspectiva de novas avaliações ao longo da vida. A proposta segue o mesmo modelo das coortes anteriores realizadas em São Luís, iniciadas em 1997/1998 e em 2010, que permitiram analisar como fatores relacionados ao nascimento e ao período gestacional impactam a saúde em fases posteriores, inclusive no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, hipertensão e dislipidemias.
Além disso, a continuidade do estudo ao longo de quase três décadas possibilita comparar diferentes períodos históricos e avaliar a evolução dos indicadores de saúde materno-infantil na capital. As análises incluem não apenas dados clínicos, mas também informações socioeconômicas, ampliando a compreensão sobre os determinantes que influenciam a saúde e a doença.
Pesquisas anteriores já apontaram avanços no acesso e no início mais precoce do pré-natal, assim como maior escolaridade materna, ao mesmo tempo em que evidenciaram desafios persistentes, como o aumento das taxas de cesariana e a lenta redução de prematuridade e baixo peso ao nascer.
Para a professora responsável pelo estudo, Carolina Carvalho, a pesquisa reafirma o compromisso da universidade com o Maranhão. “O que o nosso estudo pretende é continuar contribuindo. Há 30 anos fazemos ciência aqui no estado, gerando e analisando dados que apoiam políticas públicas e ajudam a compreender, de forma mais ampla, as mudanças na saúde da população”, ressaltou a pesquisadora.