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SES capacita profissionais da rede estadual para qualificar atendimento a pessoas com TEA no SUS

Com foco na qualificação da assistência e no fortalecimento das práticas de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realiza nesta semana, em São Luís, o “Curso de Formação em Atenção à Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”. Promovida pela Escola de Saúde Pública do Estado do Maranhão (ESP-MA), a iniciativa reúne profissionais da rede estadual de saúde no auditório da SES, para capacitação voltada ao aprimoramento do atendimento e à ampliação do cuidado especializado.
De acordo com o secretário adjunto de Administração e Engenharia, Hugo Ferro, a iniciativa fundamenta-se na educação permanente em saúde. “Esta iniciativa é uma estratégia estruturante para qualificar os processos de trabalho e os indicadores de saúde na atenção às neurodiversidades. A formação utiliza abordagem teórico-prática intensiva para desenvolver competências em manejo comportamental, comunicação e atuação interdisciplinar na Rede de Atenção à Saúde”, afirmou.
O curso de formação acontece em dois momentos, sendo o primeiro no período de 6 a 10 de abril; e o segundo de 13 a 17 de abril. A estratégia visa o fortalecimento da educação permanente em saúde, com foco na avaliação, intervenção, manejo comportamental e organização do cuidado.
Ao todo, 50 profissionais participam da qualificação, cujas vagas contemplaram tanto os setores técnicos e de formação continuada da secretaria, como também de unidades de saúde que compreendem a rede especializada, com atuação direta ou indireta no atendimento a pessoas com TEA. A iniciativa segue o Termo de Colaboração nº 002/2019, com ênfase no Componente I – Humanização no Atendimento e Cuidado, especialmente na Meta 4, voltada ao fortalecimento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência.
O curso
Entre os temas que serão abordados no curso, estão: caracterização do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus critérios diagnósticos; fundamentos da Análise do Comportamento Aplicada (ABA); acolhimento e humanização do cuidado, avaliação comportamental e planejamento de intervenções; além de estratégias de ensino estruturadas e naturalísticas voltadas ao desenvolvimento das pessoas com TEA.
Para o mestre em Análise do Comportamento Supervisor, Lucas Aranha, que na ocasião esteve como facilitador do curso, a iniciativa é essencial para todo profissional que atua com esse público. “O impacto é poder oferecer ao profissional uma visão ampla de como se comportam as pessoas que têm o diagnóstico de TEA. Acreditamos que ao entender o comportamento, é possível também agir de acordo, ajudando-os”.
Maria Laura Leda é psicóloga do TEA 12+ e recebeu o diagnóstico há três anos, quando tinha 27 anos. Segundo ela, “significou para mim finalmente encaixar-me, sentir que eu tinha um lugar no mundo”. A profissional acrescentou que é muito importante ter esse contato com a equipe multidisciplinar. “Ainda mais porque como trabalho diretamente com esse público neurodivergente, e também sendo uma pessoa neurodivergente, vejo como é rica essa formação, ainda mais a gente pensando que as pessoas neurodivergentes estão envelhecendo e que ainda existe pouca formação sobre”, acrescentou.
A formação contempla ainda o manejo comportamental com intervenções baseadas na função, comunicação com pessoas com TEA e condutas em situações de crise. Integram o curso, também, o registro e monitoramento de dados, a organização da rede de atenção à saúde, a atuação interdisciplinar pautada na ética e a realização de atividades práticas supervisionadas.
Quem também está participando do curso é o técnico de enfermagem do QualiSES, Marcelo Rubens Diniz. “Eu acho que vai agregar muito para o meu conhecimento profissional como técnico de enfermagem. É algo novo para mim, tanto que agora vou começar a desenvolver mais isso, e, quem sabe no futuro, ter uma formação voltada para esse público mesmo, trabalhando diretamente”, compartilhou.