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Pais recebem orientação sobre seletividade alimentar em ação na Policlínica da Criança

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), promoveu nesta quinta-feira (9) uma oficina sobre seletividade alimentar na Policlínica da Criança. O objetivo foi orientar pais e responsáveis sobre a importância de estabelecer uma rotina alimentar, além de explicar como a seletividade se manifesta na primeira infância, especialmente em contextos de neurodivergência.
Entre os pais que participaram da programação estava Adriana Muniz, de 40 anos. Mãe da Eloah Valentina Araújo Cardoso, de 3 anos, e do Pedro Lucas, de 11, Adriana disse que busca sempre levar os filhos para consultas de rotina, o que inclui visitas ao nutricionista. Segundo, ela, o mais velho está em processo de fechar o diagnóstico, se para TDAH ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“A gente precisa ter uma base na alimentação dos nossos filhos. Não dá para deixar comer de tudo. Por isso, venho sempre à nutricionista para aprender sobre a alimentação adequada, quais frutas, verduras e outros alimentos incluir. Meu desejo é garantir uma dieta equilibrada, que contribua para o crescimento e também para o aprendizado, já que tudo isso é importante para o desenvolvimento deles”, compartilhou Adriana.
Na oportunidade, foi abordado que a seletividade alimentar não se trata de uma doença, mas de um comportamento caracterizado por dificuldades na alimentação da criança, e que ela é comum em pacientes TEA, aparecendo também com frequência na primeira infância, especialmente até a fase pré-escolar.
A seletividade possui características específicas, dentre as quais estão a recusa de alimentos a partir da cor, da textura, do cheiro e também do modo como ele é preparado. Durante a palestra, também foi reforçado que um baixo estado nutricional pode acarretar na deficiência de vitaminas e minerais, o que reforça a necessidade do acompanhamento nutricional e de uma equipe multidisciplinar para que esse paciente consiga avançar na aceitação alimentar.
Segundo a nutricionista que integra a equipe da Policlínica da Criança, Eulina Costa, a aceitação alimentar precisa acontecer de forma gradual e conduzida com respeito. “É importante entender o que levou a criança à recusa e observar até onde ela consegue ir. Esse processo também envolve a família, com a organização da rotina alimentar, pois, muitas vezes, os hábitos em casa incluem alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio”, disse.
Como alternativa para a seletividade, a palestra compartilhou estratégias em que os pais e responsáveis podem fazer a introdução de grupos alimentares na sua diversidade de sabores, cores e texturas, de forma gradual, apresentando sempre as opções mais saudáveis, especialmente dos pacientes que estão no contexto TEA, sempre visando melhorar a qualidade de vida e o estado nutricional da criança.
Verdadeiro ou Falso?
1. “Seletividade alimentar é frescura, ele não come porque é birra?”
Resposta: Falso.
A criança seletiva não deve ser associada à má educação mas sim a um comportamento alimentar presente que gera recusa na oferta alimentar.
2. “Seletividade alimentar pode estar associada a problemas sensoriais?”
Resposta: Verdadeiro.
Existem vários fatores relacionados à seletividade alimentar e um deles é problemas sensoriais. Assim, questões como o cheiro, a textura, a cor do alimento influenciam na aceitação ou não da criança ao alimento.
3. “Seletividade alimentar é apenas uma fase que passa sozinha?”
Resposta: Falso.
A seletividade precisa ser tratada e receber acompanhamento multidisciplinar para auxiliar no processo de compreensão quanto ao motivo que levou a criança a recusar os alimentos e a não aceitar determinado grupo que pode estar prejudicando-a no estado nutricional.
4. “Toda criança com autismo tem seletividade alimentar?”
Resposta: Falso.
Apesar da gente ter uma grande maioria de crianças TEA no transtorno com seletividade, nem todas apresentarão a recusa uma vez que isso necessariamente não está relacionado a questões comportamentais, sensoriais ou gastrointestinais.
5. “Forçar a criança a comer pode gerar ansiedade e piorar o comportamento?”
Resposta: Verdadeiro.
Na estratégia da seletividade alimentar é elementar evitar expor a criança a situações de pressão. Além de favorecer o surgimento de traumas, esse tipo de abordagem aprofunda os transtornos e afasta a criança da aceitação alimentar.
6. “Na seletividade requer paciência e constância na oferta alimentar?”
Resposta: Verdadeiro.
É importante que a família tenha paciência e constância em insistir na oferta de vários grupos alimentares para que essa criança aceite.