Notícias
Governo do Maranhão lança o Programa Otimiza Sangue

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), lançou nesta quarta-feira (8) o Programa Otimiza Sangue, que passa a adotar o método Patient Blood Management (PBM) na rede estadual. A iniciativa amplia a segurança das pessoas em tratamento cirúrgico ao priorizar o uso racional de hemocomponentes e diminuir transfusões desnecessárias. Após o lançamento, profissionais da rede participaram da capacitação inicial do método.
A subsecretária de Estado da Saúde, Liliane Neves, destacou que a política representa avanço significativo na qualidade da assistência. “O protocolo reforça a segurança das pessoas atendidas, qualifica a prática clínica e introduz uma abordagem científica que prioriza o cuidado integral. O governo Carlos Brandão tem sido um aliado importante na consolidação de iniciativas que fortalecem a saúde pública e asseguram melhores resultados para a população do Maranhão”, afirmou.
O PBM será implantado de forma gradativa, com o projeto piloto sendo realizado no Hospital da Ilha, em São Luís (MA). A estratégia busca melhorar desfechos clínicos por meio da preservação do sangue da própria pessoa, a partir da identificação e tratamento da anemia e de distúrbios associados ao sangramento e beneficia inicialmente pessoas com indicação de cirurgias eletivas acompanhadas pela rede estadual, com hemoglobina inferior a 10 g/dL (gramas por decilitro).
Presente à ocasião, o Procurador Geral de Justiça do Maranhão, Danilo de Castro, reforçou a relevância do protocolo para a política pública de saúde. “Nosso papel é a garantia dos direitos fundamentais, e a saúde é um direito universal. Fico muito satisfeito porque, após uma provocação nossa, a Secretaria de Estado da Saúde se sensibilizou e decidiu adotar o protocolo, fortalecendo a qualidade da assistência no estado”, afirmou.
Protocolo
Durante a consulta pré-operatória, caso os exames indiquem anemia, a equipe médica inicia o protocolo, estruturado para ser seguido quatro semanas antes da cirurgia. Nesse período, são realizadas avaliações pré-transfusionais e exames para detecção de anemia, ferropenia e alterações da coagulação, além da terapia adequada, que pode incluir suplementação de ferro endovenoso quando indicada. O preparo antecipado corrige a anemia, melhora as condições clínicas e reduz a necessidade de transfusões alogênicas, o que diminui riscos no intra e no pós-operatório.
O coordenador do programa, o médico hematologista Ademar Moraes, explicou como o protocolo pode auxiliar na manutenção dos estoques de hemocomponentes do Hemomar. “Hoje enfrentamos níveis críticos em vários tipos sanguíneos. Para atender todo o estado, o ideal seria alcançar cerca de 300 doações por dia. Mantemos uma média entre 150 e 170 doações ao longo do ano, o que evidencia a importância de estratégias como essa para reduzir a demanda desnecessária e equilibrar o abastecimento”, pontuou.
Capacitação
A capacitação inclui esta etapa presencial e virtuais, estruturadas em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), referência nacional na implementação do PBM. O conteúdo possui 14 módulos e avaliação final para certificação das equipes da rede.
Também participaram do lançamento a coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Carlos; a professora pesquisadora da UNIFESP e coordenadora da Comissão de PBM do Hospital São Paulo, Isabel Céspedes; a diretora-geral do Hospital da Ilha, Carol Hortegal; o diretor técnico do Hospital da Ilha, Samuel Gregório; e a superintendente de Assistência em Saúde da SES, Luciana Albuquerque.