O Hospital de Traumatologia e Ortopedia do Maranhão (HTO) de São Luís realizou a sua primeira cirurgia de correção de escoliose idiopática. O procedimento aconteceu no último domingo (18) e beneficiou Maysa Aranha, de 15 anos, natural do município de Viana, a captação da paciente aconteceu via encaminhamento a partir do atendimento ambulatorial feito pela unidade. A iniciativa marca a implantação de uma nova modalidade de tratamento ortopédico de alta complexidade na rede estadual de saúde.
"A direção-geral do hospital já tinha o objetivo de implantar esse serviço, que ainda não era oferecido anteriormente na rede estadual de saúde. Embora desafiador, foi possível reunir equipamentos e recursos humanos e materiais específicos para iniciar o serviço de forma a atender uma demanda específica já identificada na Rede Estadual para esse tipo de cirurgia", afirmou o assistente técnico do Departamento de Alta Complexidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Paulo Figueiredo.
A escoliose idiopática é uma deformidade da coluna vertebral que costuma ser identificada durante a adolescência, sem uma causa definida. A condição provoca uma curvatura anormal da coluna, que pode progredir durante o crescimento. O tratamento depende da gravidade do quadro e pode incluir acompanhamento médico e uso de colete, quando indicado.
A cirurgia é considerada em casos de curvaturas acentuadas ou progressivas, conforme a avaliação médica. A decisão leva em conta exames de imagem, o grau da deformidade e as características clínicas de cada paciente. Para implantar o serviço, o HTO reuniu profissionais de diferentes áreas e providenciou equipamentos necessários à realização do procedimento.
"Para viabilizar a cirurgia, reunimos a direção-geral e clínica do hospital, as equipes de anestesia e neurofisiologia e o especialista em escoliose para definir as necessidades do procedimento. Cada setor ficou responsável por uma etapa da preparação. Na parte administrativa, buscamos, junto à SES, a aquisição de uma mesa cirúrgica específica, que foi prontamente disponibilizada. O equipamento permite o uso do arco cirúrgico, necessário para obter imagens da coluna durante a operação", destacou a diretora administrativa do HTO de São Luís, Kalline Marinho.
O hospital prioriza pacientes selecionados, com curvaturas cujas características permitam um planejamento mais seguro da cirurgia. Casos associados a doenças neuromusculares ou que exijam estrutura especializada, como uma UTI pediátrica, ainda não são atendidos pelo serviço. Até o HTO começar a realizar esse tipo de especialidade cirúrgica, procedimentos do tipo só eram possíveis de serem feitos no Hospital Universitário Presidente Dutra, da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA)
Maysa recebeu alta médica nesta quarta-feira (21), três dias após a cirurgia. Ela deverá retornar ao HTO em 30 dias para avaliação e acompanhamento da recuperação.
O procedimento
A cirurgia consiste na colocação de parafusos nas vértebras, conectados a hastes metálicas que auxiliam na correção do alinhamento da coluna e na redução da curvatura. O procedimento realizado em Maysa durou cerca de seis horas, o que incluiu as etapas de anestesia e posicionamento, acesso à coluna, correção da curvatura, fixação, fechamento e recuperação pós-anestésica.
A realização desse tipo de cirurgia exige uma equipe especializada, monitoramento da atividade dos nervos durante o procedimento e equipamentos de imagem que auxiliam na colocação dos implantes. A equipe acompanha essas etapas para verificar a segurança da intervenção e orientar a correção da coluna.
De acordo com o pai da paciente, Manoel Aranha, de 58 anos, os primeiros sinais de alteração na postura da filha se tornaram mais perceptíveis no ano passado, o que o levou a buscar atendimento especializado.
"Isso me deixou preocupado e me fez buscar alternativas de tratamento. Quero agradecer a toda a equipe do hospital, desde o porteiro até os médicos, pelo acolhimento, pelo suporte e pela segurança que nos transmitiram durante todo esse processo. Como pai, fico muito feliz em vê-la se recuperando e saber que ela poderá seguir em frente com mais qualidade de vida. Sou grato a todos que tornaram esse momento possível", relatou.
A recuperação exige acompanhamento médico, avaliação da cicatrização e retorno gradual às atividades, conforme a evolução clínica e a orientação da equipe. Os parafusos e as hastes utilizados na correção costumam permanecer na coluna, sem necessidade de retirada de rotina. O acompanhamento também permite monitorar a consolidação óssea e identificar possíveis complicações.
"Após a cirurgia, o paciente segue para a Unidade de Terapia Intensiva, onde permanece sob observação, em geral, por 24 a 48 horas. Se a recuperação evoluir bem, passa para a enfermaria e inicia a mobilização com apoio da fisioterapia, podendo sentar, ficar em pé e começar a caminhar nos primeiros dias", explicou o cirurgião de coluna responsável pelo procedimento realizado em Maysa, Thiago Lira.
Para Maysa, a cirurgia representa um recomeço. “Estou muito feliz e agradecida a Deus por essa realização. A escoliose me causava insegurança com o meu corpo, e passar por essa cirurgia representa muito para mim. Quando estiver totalmente recuperada, sem dores e com a liberação médica, quero fazer academia”, comentou a jovem.
O hospital
O Hospital de Traumatologia e Ortopedia do Maranhão (HTO) de São Luís integra a rede da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Localizada no bairro Jardim Eldorado, a unidade foi entregue pelo Governo do Estado em outubro de 2019 e atende pacientes que necessitam de tratamentos ortopédicos de média e alta complexidade.

