Governo alerta para os cuidados com a saúde mental durante Janeiro Branco

Ação da Unidade de Acolhimento, uma das unidades da rede estadual de saúde mental. Foto: Julyane Galvão

Janeiro representa a ideia de recomeço, de início de um novo ciclo. Depois de um mês de festividades, de encontros e confraternizações, de reflexões sobre a vida e até de melancolia, é hora de colocar em prática as resoluções de ano novo. Neste clima de reflexão e renovação, o Governo do Estado alerta para campanha Janeiro Branco, que busca fortalecer o conceito de saúde mental e para os cuidados com as emoções.

“Temos atuado fortemente no fortalecimento e na promoção da saúde mental, assim como na divulgação e criação de uma cultura que valorize esse aspecto tão relevante da saúde pública. Assumimos na gestão do governador Flávio Dino a missão de prevenir transtornos mentais, promover o bem-estar, dar cuidados a quem precisa, reinserindo pacientes na sociedade, sempre que possível”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

Qualidade de vida

Segundo o chefe do Departamento de Atenção à Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Márcio Menezes, é preciso superar o conceito equivocado que relaciona saúde mental exclusivamente a transtorno mental. “Devemos pensar a saúde mental como qualidade de vida, com a ausência ou presença de transtorno mental. Somos a somatória de fatores diversos – econômicos, sociais, educacionais”, explica.

Márcio Menezes orienta a todos a ficarem atentos a pequenas mudanças de comportamento em si ou nas pessoas mais próximas. O consumo de álcool que extrapola o “social” e passa a compor a rotina diária, insônias, reclusão, aversão a contatos públicos podem ser pequenos indícios de que algo não está bem.

Hamilton Raposo, psiquiatra coordenador adjunto da Residência Médica de Psiquiatria do Hospital Nina Rodrigues, acredita que vivemos em uma sociedade que não educa para a relevância dos aspectos emocionais do ser. Por isso, a necessidade da criação de uma cultura que reconheça a importância de se falar abertamente sobre medos, frustrações, desejos, sonhos e planos, que influenciam na relação do homem com ele mesmo e com o outro.

“Há uma concepção errônea de que os transtornos psicológicos estão associados à loucura, e isso, por sua vez, a tratamentos cruéis e abandono. Muitos relacionam também à fraqueza. O Janeiro Branco vem nos lembrar que a saúde mental depende de um conjunto de determinantes sociais, psicológicos e orgânicos para que a pessoa tenha uma higidez mental”, ressalta.

Para o psiquiatra, as pessoas com transtornos mentais ou em sofrimento psicológico têm indicação médica para ajuda profissional, que irá conduzir a estabilização do paciente. Contudo, para a população em geral, o serviço também é necessário, uma forma de prevenção. “Qualquer pessoa, em qualquer situação tem indicação de terapia. Você pode não sentir nada, mas ajuda a se conhecer melhor, a lidar com as pessoas e melhorar a vida”, afirma.

Rede de cuidados

Proteger e promover o bem-estar mental dos cidadãos é um dos focos da campanha, mas também é preciso atender às necessidades de pessoas com transtornos mentais diagnosticados. Nesse contexto, a SES tem criado uma rede de cuidados, desenvolvendo políticas públicas efetivas.

A Rede Estadual de Saúde Mental é composta por dois Centros de Atenção Psicossocial: o CAPS Álcool e Drogas (CAPS-AD) e o CAPS III – Bacelar Viana, unidades consideradas “porta aberta” com funcionamento 24 horas. Também integra a rede a Unidade de Acolhimento (UA) e três Residências Terapêuticas (RT).

“Um dos destaques da nossa rede de serviço de saúde mental é o trabalho de reinserção social das pessoas com transtornos. Isso é muito presente e não acontecia, quando existia aquele modelo antigo de manicômios. Outra iniciativa que chama atenção é do CAPS Álcool e Drogas. Com o aumento do consumo de drogas, é essencial a estruturação que tem sido feita nesse aspecto”, frisa.

Outro fator que tem avançado no Estado é qualificação dos profissionais das unidades públicas de saúde. Uma queixa de taquicardia, por exemplo, que antes levava a investigação de problemas cardíacos, hoje, é investigado no acolhimento de transtornos como ansiedade e depressão.

“Os profissionais, hoje, possuem uma visão mais ampla. A SES, através do Departamento de Saúde Mental, também montou um protocolo clínico de urgência e emergência com os cinco principais transtornos que estão nas portas de entrada das urgências e emergências. Ele servirá de apoio no trabalho de diagnóstico”, pontua Márcio Menezes.

REDE ESTADUAL DE SAÚDE MENTAL
Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) – Atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.
Rua Conde D’Eu, n. 65 – Bairro: Monte Castelo

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III) – Atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento 24 horas.
Av. Getúlio Vargas, n. 2738 – Bairro: Monte Castelo

Unidade de Acolhimento (UA) – Oferece cuidados contínuos de saúde, com funcionamento 24 horas, em ambiente residencial, para pessoas com necessidade decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, de ambos os sexos.
Avenida 03, Quadra 04 – Bairro: Cohab – Anil 4

Hospital Nina Rodrigues – Serviço Hospitalar de Referência para Atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Funciona em regime integral, 24 horas.
Av. Getúlio Vargas, n° Bairro: Monte Castelo